Como a escola pode motivar os alunos com baixo rendimento acadêmico

O aluno não está participando das aulas, as tarefas não estão sendo realizadas, as conversas em paralelo são constantes e… as notas despencaram! Esses são alguns sinais de que o rendimento acadêmico está baixo, até porque ter um baixo desempenho não significa apenas ter um boletim com notas vermelhas. Vários outros pontos precisam ser observados, analisados e acompanhados de perto pela equipe pedagógica da escola. “A nota é só mais um indicador, não um determinador. O aluno pode tirar uma nota baixa em decorrência de agentes estressores que o afetaram durante a prova”, pontua a psicóloga do Ensino Fundamental da unidade GGE Benfica, Liliane Nascimento.

Por este motivo, quando se fala do processo ensino-aprendizagem, é preciso entender causas multifatoriais analisando o contexto que representa a vida do aluno. É claro que não há uma fórmula mágica que melhore o quadro geral de desempenho de uma turma. Porém, algumas estratégias podem ser adotadas com esse objetivo.

Entre elas, estão as chamadas ferramentas de acompanhamento, que oferecem, ao longo do ano, informações sobre a evolução pedagógica e formativa dos alunos, de maneira individual ou coletiva (com visões comparativas por turma e unidades). Diagnósticos deste tipo ajudam professores e coordenação a identificar as intervenções pedagógicas necessárias e a traçar estratégias de ensino mais eficientes. Com base nos indicadores apontados pelas ferramentas de acompanhamento pedagógico e formativo, o professor pode, por exemplo, testar formas de trabalhar o conteúdo e ver quais combinam mais com cada turma.

“A escola procura realizar um acompanhamento da evolução do aluno durante o seu ciclo escolar, entendendo como possíveis dificuldades podem estar presentes na sua dinâmica em sala de aula. Desta forma, o índice da nota representa apenas um dos possíveis indicadores para tentarmos identificar o perfil do aluno com relação ao seu rendimento. Tendo posse de informações relacionadas ao comportamento, assiduidade, dentre outros dados, a escola procura traçar estratégias em que o aluno seja um agente no seu aprendizado”, afirma a psicóloga do Ensino Médio da unidade GGE Boa Viagem, Thaís Oliveira.

O acompanhamento do rendimento da turma precisa ser constante, afinal, para que haja um aproveitamento do material didático, por exemplo, é fundamental entender quais são as lacunas de aprendizado dos alunos e traçar estratégias para que elas sejam superadas. Se os alunos possuírem as ferramentas certas, poderão melhorar seu desempenho e atingir níveis muitas vezes surpreendentes.

O Sistema GGE de Ensino oferece para suas escolas parceiras o Exame de Verificação de Aprendizagem (EVA), ferramenta disponível em sua plataforma de gestão pedagógica 370º – V4. Trata-se de uma avaliação desenvolvida por uma banca de professores do Sistema GGE de Ensino e aplicada a todos os alunos, com base nos exercícios do material didático. Os resultados são enviados aos pais e alunos junto a um plano de estudos individual, com indicação de que pontos devem ser melhorados em cada disciplina e o que deve ser focado para impulsionar o aprendizado, incluindo a disponibilização de vídeos com a correção das questões em que o aluno apresentou dificuldade.

A elaboração dos planos de estudos é também uma das ações do projeto ReaGGE, desenvolvido pelo Colégio GGE com foco nos alunos do Ensino Fundamental 2 que apresentaram dificuldades pedagógicas e comportamentais no primeiro semestre. O projeto prevê ações práticas e motivacionais que auxiliam o aluno na recuperação das notas e estimulam a criação de um hábito de estudos, com a disciplina necessária para atingir seus objetivos. O ReaGGE é dividido em dois grupos de atendimento. O primeiro contempla alunos do 6º e 7º anos que fazem parte de um determinado grupo focal. Esses estudantes são convidados a conversar individualmente com a coordenação formativa, na presença dos pais, para desenvolver um plano de estudos personalizado e receber orientações sobre como manter a disciplina e o comportamento necessários para cumprirem a rotina escolar.

Segundo o supervisor pedagógico do Colégio GGE José Veiga de Lira Neto

É fundamental construir o plano de estudo junto com o aluno e seus familiares. O estudante que tira notas baixas é o que não tem uma rotina de estudos definida. Quando chega próximo das provas, ele não vai mais se lembrar da matéria e a ansiedade aumenta. Por isso, é fundamental uma rotina diária de estudos”, orienta.

Já no segundo grupo do ReaGGE, os estudantes do 8º e 9º anos participam de um encontro no auditório, onde são realizadas ações motivacionais que buscam a construção de autonomia e força de vontade para os estudos. Também são promovidos debates e vivências, que contam com a presença de participantes de edições anteriores, dando depoimentos sobre a importância do projeto para a sua recuperação escolar.

Temos ainda o AFA (Acompanhamento Formativo do Aluno), por meio do qual os professores acompanham diariamente diversos critérios comportamentais, e avaliam cada aluno, tanto positivamente quanto negativamente. Essas informações são enviadas todos os dias aos pais. Então, é mais uma forma de se identificar algum problema que esteja afetando o rendimento do aluno”, detalha Veiga.

Além da sala de aula

Estudos comprovam que o nosso cérebro funciona melhor quando é constantemente estimulado. Por isso, outra estratégia que pode ser adotada pelos docentes são as atividades externas e práticas, que prendem a atenção e instigam o pensamento dos alunos. Atividades diferenciadas são interessantes para dar contexto ao que foi aprendido em sala de aula, além de serem úteis para desenvolver e fortalecer as competências socioemocionais dos alunos.

De acordo com a psicóloga Liliane Nascimento, na escola, independentemente da série em que o estudante se encontra, os professores são orientados a convidá-los para uma participação mais intensa em sala, por meio de exemplo e monitoramento. A proposta é promover aulas dinâmicas, que estimulem o trabalho em equipe de forma lúdica. Outra possibilidade é estimular o engajamento dos alunos em oficinas, projetos pedagógicos e plantões de dúvida para reforço escolar.

Em todas as fases, o aluno é orientado para cumprir a rotina estabelecida no plano de estudos, realização de tarefas e participação nas aulas de forma ativa. Na família, orientamos aos responsáveis sobre a importância de acompanhar seus filhos com a rotina que foi passada para o contraturno, assim como a realização de tarefas e, quando necessário, assistir os filhos com profissionais específicos para sanar alguma lacuna que atravesse seu desenvolvimento pedagógico e/ou emocional.”, explica Liliane.

Apoio no contraturno

Disponibilizar projetos que deem mais segurança ao aluno, mesmo quando ele não está no horário da aula, também é uma forma de ajudá-lo a melhorar seu desempenho escolar. Neste sentido, o Colégio GGE oferece projetos direcionados ao desenvolvimento do aluno em algumas disciplinas, como é o caso da Oficina de Redação.

Voltados para os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental 2, as atividades da Oficina de Redação têm o objetivo de estimular a produção textual e  sanar as dificuldades dos estudantes. O projeto acontece no contraturno das aulas, e os professores de redação indicam quais alunos devem participar, de acordo com o desempenho deles no RediGGE, concurso mensal de redações com temas específicos e correção com base nos critérios do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Outro projeto que merece destaque é o ReforçaGGE (Ensino Fundamental 2), que oferece aulas extras, no contraturno, com professores de disciplinas fundamentais. Por meio do ReforçaGGE, os alunos têm a oportunidade de tirar dúvidas e exercitar os conteúdos que já estão sendo vivenciados em sala de aula e que podem ser trabalhados de maneira reforçada para garantir a melhor compreensão dos assuntos abordados.

“Temos também o plantão de dúvidas, voltado para os alunos do Ensino Médio, Pré-Enem e Pré-Medicina, que disponibiliza no contra turno professores e monitores nas salas de estudos das unidades para tirar dúvidas relacionadas às disciplinadas de Matemática, Física, Química, Biologia e Redação / Produção Textual”, explica o supervisor pedagógico do Colégio GGE José Veiga de Lira Neto.

Apoio a todo instante

Em caso de o aluno ser reprovado ou precisar ser submetido ao conselho, o acolhimento se torna ainda mais necessário. É o momento em que é preciso trabalhar a autoestima e o psicológico do estudante para que ele entenda que, se desejar, conseguirá recuperar o seu desempenho escolar. Por isso, no GGE, estes alunos são acolhidos pelo projeto Recomeçar, que tem como objetivo principal levantar a autoestima deles, estimulando o interesse pelos estudos novamente.

Neste momento, a equipe pedagógica desenvolve dinâmicas de acolhimento, que vão desde o apoio até a orientação necessária para melhorar a conduta dos estudantes para não deixarem que o medo seja maior do que a vontade de fazer diferente.

E, vale ressaltar, independentemente do momento pelo qual o aluno esteja passando, em todo o processo de aprendizagem, os docentes e a equipe pedagógica precisam contar com o apoio da família. A parceria entre família e escola é fundamental para o desempenho escolar dos estudantes. Essa proximidade, além de oferecer segurança para crianças e jovens, garante que o colégio entenda onde estão os pontos de dispersão e, por outro lado, auxilia no acompanhamento das estratégias traçadas, de maneira a garantir que estejam sendo cumpridas fora do ambiente escolar. Uma relação de cumplicidade entre escola e família só traz resultados positivos para o aluno.

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