Não importa qual o ramo de atuação de uma empresa. Se ela busca se tornar ou se manter como referência na área em que atua, precisa acompanhar de perto a qualidade dos produtos oferecidos e/ou dos serviços prestados. Afinal, a garantia da excelência neste aspecto é essencial para a satisfação do consumidor e, por conseguinte, do sucesso do negócio.

Mas e quando estamos falando da gestão da qualidade em uma instituição de ensino? Como um gestor pode, de maneira sistematizada e eficaz, mensurar o nível de satisfação de seus clientes – os alunos – e identificar oportunidades de melhoria?

São muitos os métodos utilizados para medir o nível de satisfação de pais e estudantes em relação à escola. Um deles – talvez o que tenha potencial para gerar resultados de maior impacto – é a avaliação do processo de ensino-aprendizagem e, mais especificamente, do corpo docente.

Segundo o pesquisador português Alexandre Ventura, atuante na Universidade de Aveiro e especialista em avaliação de corpo docente, tal prática se baseia em pesquisas que comprovam que o professor é a variável mais significativa no sucesso ou insucesso dos alunos. Justamente por esse motivo é tão importante aferir a qualidade do serviço prestado pelos professores.

Embora haja um consenso de tal importância, ainda há divergências a respeito de como isso deve ser feito. Em Portugal, por exemplo, os professores avaliam uns aos outros. Na França, a avaliação é feita pela equipe pedagógica das escolas. Já na Inglaterra, fica a cargo do diretor da instituição de ensino e de avaliadores externos.

Alexandre Ventura defende que o processo seja feito de tal forma que inspire a confiança dos professores, de modo a evitar o medo de consequências negativas, como hierarquização, redução de salários ou demissão. É preciso que a avaliação seja justa e eficaz, além de ser aplicada de maneira transparente. Da mesma forma, ela precisa ter o objetivo prático de melhorar o desempenho dos professores e da educação como um todo.

No Colégio GGE, tal levantamento é feito três vezes no ano letivo, por meio do Sistema de Gestão Pedagógica V4, que prevê uma consulta aos alunos para esquadrinhar o corpo docente. Os professores são avaliados segundo quatro aspectos: conteúdo e didática, assiduidade (incluindo-se o aproveitamento das aulas), postura formativa e envolvimento com os estudantes.

O processo é iniciado com uma etapa quantitativa, quando alunos respondem a questionários elaborados a partir dos quatro eixos, e tem continuidade com uma etapa qualitativa, quando grupos de estudantes são ouvidos para detalhar as impressões a respeito dos professores. Neste momento, os alunos falam sobre suas experiências, dúvidas, sugestões e críticas.

Munida dessas informações, a coordenação pedagógica transmite a cada professor a percepção que os estudantes têm a respeito dele e sugere adequações para melhoria dos índices. Cada docente recebe um relatório individual com o resultado da avaliação, incluindo gráficos de desempenho em cada quesito.

Na opinião do professor de matemática do GGE Hugo Oliveira, trata-se de uma oportunidade interessante para aperfeiçoar a interação com os estudantes. “É uma ferramenta magnífica que o GGE nos presenteia. A cada avaliação recebida, procuro logo o que tenho a melhorar e busco saber como fazer isso. A gente tem que se adequar, entender a cabeça do alunos. Quando recebemos o feedback, vemos o macro se transformar no focal”, comenta o professor.

“Quando a gente melhora o que o aluno está pedindo para melhorar, o próprio aluno melhora o seu desempenho. A gente consegue cobrar mais. Por outro lado, quando o aluno não tem o que reclamar do professor, ele começa a atribuir a si mesmo a responsabilidade por um baixo desempenho, complementa.

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